Na França, milhares de estudantes saíram nesta quinta-feira (17) às ruas para exigir a volta de dois alunos estrangeiros expulsos do país, entre eles uma cigana, em uma decisão que divide o governo de esquerda.
A detenção em 9 de outubro, durante uma excursão escolar, de Leonarda Dibrani, uma cigana de 15 anos, desencadeou no país a polêmica sobre o tratamento dado a essa minoria na França e abalou a unidade nas fileiras do Partido Socialista, do presidente François Hollande, que conta com os piores níveis de popularidade de um chefe de Estado francês desde 1996.
Além da jovem cigana, expulsa para o Kosovo, os estudantes exigem a volta à França de Khashik Kashatryan, um armênio de 19 anos deportado no sábado passado (12).
O caso ganhou repercussão na segunda-feira (14) por meio das redes sociais que ficaram repletas de mensagens contra o governo, em particular a respeito do ministro do Interior, Manuel Valls.
As manifestações bloquearam o centro de Paris e interromperam as aulas em centenas de estabelecimentos de ensino. Cerca de 2.500 estudantes, segundo a polícia, e 7.000, de acordo com o sindicato Fidl, participaram dos protestos.
No restante da França, foram anunciadas manifestações em Mende (centro) e Avignon (sul).
Alvo de duros ataques, alguns membros do próprio partido acusam Valls, filho de imigrantes espanhóis, de fazer uma política de direita em termos migratórios.
Expulsa junto com o restante de sua família para Mitrovica, no Kosovo, Leonarda Dibrani deu inúmeras entrevistas à imprensa francesa para contar sua história e implorar que a deixem voltar para a escola na França.
Os professores do colégio onde Leonarda e uma de suas irmãs estudavam se declararam profundamente consternados com os métodos utilizados pelo governo para expulsar as crianças da comunidade cigana, levando-as para países estranhos a elas e com idiomas que não conhecem.
