Dois suspeitos de participação em um esquema de tráfico de mulheres foram detidos nesta quinta-feira (17), em Inhangapi, nordeste do Pará, e levados para Belém.
Segundo as investigações, eles teriam atuado como aliciadores de seis mulheres que embarcariam para o interior de São Paulo, onde seriam levadas para boates de prostituição em Americana e Campinas, no interior de São Paulo.
O paulista Roger Rocha foi preso em flagrante momentos antes de embarcar para São Paulo com as paraenses, no aeroporto de Belém.
De acordo com a polícia, Roger há anos aliciava mulheres do Pará e as levava para a prostituição no sudeste do país.
Ele nega que as jovens iriam atuar como prostitutas e afirma que as mulheres trabalhariam como garçonetes e balconistas.
O cabeleireiro José Guedes, de 21 anos, e o travesti Natasha, de 28 anos, foram presos em Inhangapi após as vítimas terem citado a participação de Guedes no crime.
Conforme as investigações, ele teria cedido a casa para Roger trazer as mulheres de Castanhal e Inhangapi.
“Ele teve participação direta em todo o processo de cooptação, de convencimento das vítimas, que dormiram na casa dele até o dia do embarque”, diz a delegada Sandra Veiga, da Delegacia da Mulher, que apura o caso.
A delegada informou que as vítimas iriam embarcar apenas com a roupa do corpo e sem nenhuma documentação, sinais que evidenciariam o tráfico humano.
“Elas tinham o que vestiam e no máximo uma ou duas peças na mochila. Estavam sem dinheiro e sem os documentos, estes em posse do aliciador. Eram todas de famílias muito pobres, em vulnerabilidade, e essas famílias nem sabiam que elas iriam viajar”, conta a delegada..
O suspeito de traficar as mulheres, Roger Reis, atuaria no crime há anos no Pará. “Sabemos que ao menos duas das seis vítimas já haviam sido aliciadas por ele há 3 anos. Então a suspeita é que ele costumava levar essas mulheres do Pará para a prostiuição em São Paulo. Não sabemos exatamente se elas iriam todas para um mesmo local, ou se ele fornecia toda uma região com essas mulheres traficadas”, diz Sandra Veiga.
Casos de tráfico de mulheres, de acordo com a policial, são recorrentes no Pará.
“Não só para São Paulo, como para outros estados. É uma situação recorrente, o que não é recorrente é a denúncia, porque se tem a impressão de que a mulher vai viajar e se prostituir porque quer”, disse Sandra Veiga.
O próximo passo das investigações se desdobra em parceria com a Polícia Civil de São Paulo. “Sabemos que lá já havia gente esperando pelas mulheres, e elas seriam levadas para uma casa. Precisamos chegar até eles, que são a ponta do esquema”.
As prisões aconteceram após denúncia anônima encaminhada à Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Segundo a denúncia,um grupo de mulheres seria traficado para São Paulo a partir de Belém na quarta-feira (16). Com esta informação, uma equipe da polícia começou a fazer levantamento no aeroporto para checar o horário dos vôos do dia.
A Polícia Civil acredita que os suspeitos presos no Pará fazem parte de uma rede de exploração sexual, e informou que vai continuar investigando, em parceria com a polícia de São Paulo, para localizar outras pessoas associadas ao crime.
