O governo da Itália solicitou, nesta sexta-feira (4), que a União Europeia “abra os olhos” para os problemas relativos à imigração no continente.
O pedido foi feito um dia após o trágico naufrágio que matou 130 pessoas (número oficial de mortos até o momento).
Um dos sobreviventes disse ao jornal Corriere della Sera que três embarcações avistaram o barco e que nada fizeram.
Dos 500 que estavam a bordo, apenas 155 sobreviveram enquanto metade dos passageiros saídos da Eritreia e do Quênia ainda está desaparecida nas águas do Mediterrâneo.
A chanceler italiana, Emma Bonino, defendeu a criação de uma política comunitária para a questão.
“Esperamos que tragédias como essa abram os olhos de outros governos europeus para mudar essa política”, disse Emma.
O ministro do Interior, Angelino Alfano, que está na ilha que é a parte da Itália mais próxima do continente africano, afirmou que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ir ao local nos próximos dias para ver o problema de perto.
“Mostraremos a ele como essa ilha é a porta da Europa”, declarou Alfano. “A Itália levantará sua voz para modificar a Convenção de Dublin sobre Imigração, que sobrecarrega os países com chegada constante de imigrantes. “
Deputados do Partido Democrático (PD), do premiê Enrico Letta, defendem a criação de corredores humanitários para imigrantes. Desde 2002, uma lei, aprovada no governo de Silvio Berlusconi, endureceu a posição contra imigrantes ilegais no país.
As vítimas do naufrágio serão enterradas em várias localidades da Sicília, que se ofereceram para receber os corpos. “É preciso dar a essas pessoas uma sepultura digna e vários povos sicilianos mostraram disponibilidade apesar de seus pequenos cemitérios”, disse Alfano.
Os túmulos dos imigrantes serão como os que já existem no pequeno cemitério da ilha, lápides sem nome, sem nacionalidade e só indicarão se ali está sepultado um homem, uma mulher ou uma criança.
Entre os sobreviventes há seis mulheres e 40 jovens, entre 14 e 17 anos, que viajavam sozinhos.
Todos eles estão ‘exaustos’ e ‘em estado de choque’, segundo as informações do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – Acnur.
Com o barco muito próximo da ilha, o motor parou de funcionar e as pessoas ficaram à deriva por horas na noite da última quarta-feira (2). Para chamar a atenção de outras embarcações, os imigrantes atearam fogo a um cobertor, o fogo se alastrou, gerando pânico nos passageiros que se juntaram no canto do barco oposto ao incêndio.
Com a movimentação, o barco virou: os destroços foram localizados a cerca de 550 metros da costa de Lampedusa e a 40 metros de profundidade.
