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Intervenção urbana em Porto Alegre: ruas são rebatizadas; saem nomes de militares e entram os das vítimas das ditaduras e da polícia

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 Ruas de Porto Alegre ganham nomes de vítimas da ditadura.

 Em pelo menos três bairros da capital do Rio Grande do Sul,  foram colados  adesivos nas placas de identificação de vias que homenageiam marechais, generais e coronéis.

No lugar, entraram nomes de vítimas das ditaduras militares na América Latina e de outras pessoas, supostamente, mortas pela polícia.  

A intervenção urbana foi realizada pelo coletivo Defesa Pública da Alegria com o objetivo, segundo a grupo,“ da desmilitarização da vida, já!” 

A placa da rua Duque de Caxias teve o nome trocado para rua Vladimir Herzog, em homenagem ao jornalista torturado até a morte no DOI-CODI de São Paulo, em 1975, durante o regime militar (1964-1985).

A placa com o nome do marechal Floriano Peixoto recebeu o nome de um dos líderes da guerrilha durante a ditadura, Carlos Marighella, morto em 1969.

Em outros pontos da cidade, nos bairros Cidade Baixa e Bom Fim, também foram colados adesivos nas placas com os nomes de Alexandre Nunes Machado da Silva (um dos mortos no Massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992), Oziel Alves (líder campesino morte em 1996, no massacre de Eldorados do Carajás, no Pará) e Paulo Roberto de Oliveira (vítima da chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, em 1993).

O ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o último dia 14 de julho, quando foi visto pela última vez na Favela da Rocinha, no Rio, e que teria sido torturado e morto por policiais militares, também foi lembrado.

 O nome dele substitui o do general Vitorino na placa situada no centro histórico.

Responsável pelas placas de sinalização de trânsito e de identificação de ruas de Porto Alegre, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informou que desconhece a intervenção e que não recebeu nenhuma reclamação sobre o ato, mas que os adesivos podem ser removidos caso prejudiquem a identificação das vias.