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Nada de novo: mais ricos com mais carros. A surpresa é que os mais pobres também já têm seu carrinho na garagem

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No Brasil, 54% dos domicílios têm carro ou motocicleta disponíveis para o deslocamento dos moradores. 

O levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta quinta-feira (24),  é baseado em dados da Pesquisa Nacional por Domicílio (Pnad), de 2012, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um dos responsáveis pela análise, o pesquisador Carlos Henrique de Carvalho, afirmou que esta é a primeira vez que a maioria dos domicílios conta com um veículo próprio.

“O Pnad de 2012 é o primeiro que registra uma taxa maior que 50%. Agora foi de 54%, mas antes estava ficando na casa dos 40%”.

Comparando dados do Pnad de 2008 com 2012, houve um aumento de nove pontos percentuais na quantidade de casas com veículos particulares. O índice era de 45% há cinco anos.

Para Carvalho, a taxa de motorização está aumentando em todas as classes sociais. “Os mais ricos estão com mais carros, mas o mais pobres também tem o seu. Então, pelo menos, no final das contas, isso é positivo, porque cresceu para todo mundo”.

Segundo o Ipea, esse número mostra o aumento do uso de veículos particulares para deslocamentos por parte da população brasileira, em detrimento do uso do transporte público.

O instituto chama a atenção para uma possível piora no trânsito das grandes cidades, e ressalta que o governo precisa formular políticas públicas eficientes para minimizar os transtornos causados pelo aumento do transporte individual.

O estudo mostra que em 45% das casas urbanas há um carro. Já na área rural esse índice cai para 28%.

Na zona rural, as motocicletas  estão presentes em 33% dos lares. Se considerados todos os lares brasileiros, as motos estão em 20,1% das casas.

O levantamento do Ipea também apontou que 18,6% dos trabalhadores em regiões metropolitanas brasileiras gastam mais de uma hora por dia no deslocamento só de ida de casa para o trabalho.

Em 1992, esse índice era de 14,6%. Segundo o Ipea, o aumento se deve ao crescimento na quantidade de veículos no país, à piora do trânsito, à degradação do transporte público e à falta de mais e melhores obras de mobilidade urbana.

Das grandes cidades, aquelas em que os moradores mais levam tempo no deslocamento para o trabalho são Rio de Janeiro e São Paulo, com tempo médio de 47 e 45,6 minutos, respectivamente.

Porto Alegre é a cidade em que se menos gasta tempo no percurso casa-trabalho. Em média, são 30 minutos.

Para Carlos Henrique de Carvalho, isso se deve a uma melhor distribuição da economia como um todo no espaço geográfico e aos corredores de transporte público e privado.

Belém é a cidade em que o tempo de deslocamento teve o maior aumento percentual. Se em 1992 o tempo médio de deslocamento na capital paraense era de 24,3 minutos, em 2012 foi de 32,8, o que representa uma variação de 35,4%.

Nos grandes centros urbanos do Norte e Nordeste também houve aumento significativo no tempo de deslocamento desde 1992.

Belém, Salvador e Recife, por exemplo, tiveram a média aumentada em 35%, 27,1% e 17,8% respectivamente..

Se levada em conta a totalidade da população brasileira urbana, 65,9% das pessoas gastam menos de meia hora no trajeto de casa para o trabalho e 10,2% levam mais de uma hora.

Na área rural, os deslocamentos de até 30 minutos também são maioria e em maior proporção (76,2%), devido ao trânsito menos intenso e às menores distâncias percorridas, de acordo com a análise do Ipea.