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Caso Maria: discriminação contra ciganos pode aumentar na Europa

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A repercussão do caso da menina búlgara Maria, loira de olhos claros, encontrada, em outubro, com uma família de ciganos em Farsala, na Grécia, pode aumentar casos de discriminação contra os povos ciganos – chamados de roma – na Europa e incitar novos casos de xenofobia.

Conforme o geógrafo Marcos Toyansk, doutor em associativismo transnacional cigano, consultado pelo  site UOL, “casos recentes como a expulsão de ciganos da França, promovida por Sarkozy e, continuada pelo governo atual, levam à

 conclusão de que é provável que pessoas que apoiam esse tipo de intervenção usarão o caso Maria como argumento para estigmatizar ainda mais os povos ciganos europeus”.

Para o geógrafo, a criação, há poucos anos, da Guarda Húngara, organização paramilitar de extrema-direita que tem por finalidade assassinar ciganos e judeus, é outro exemplo do quanto o cenário atual é ruim na Europa.

Guarda Húngara

Em apenas dez anos, o Jobbik – Movimento para uma Hungria Melhor – se tornou um dos partidos de extrema-direita mais bem-sucedidos da Europa, junto com a Aurora Dourada na Grécia.

Atualmente, é a terceira força política na Hungria, com 43 deputados em uma câmara de 386 parlamentares. Três dos seus membros ocupam o Parlamento Europeu, mesmo sendo eurófobos, e uma de suas referências internacionais é o Irã.

A grande obsessão da legenda são os ciganos, que representam 10% dos 10 milhões de húngaros.

A rejeição aos ciganos está mais ligada aos estereótipos que circulam na sociedade húngara, muito menos antissemita do que contrária aos ciganos” –  informa um especialista em extrema-direita, Péter Krekó. 

A popularidade do partido  Jobbik, na Hungria, aparece nas eleições. Em 2010, obteve 17% dos votos.

Seu programa se baseia em propagar a segregação dos ciganos, definidos pelos partidários como uma comunidade incapaz de se integrar à sociedade, pessoas que vivem de subsídios, sem educação e estimuladas a conceber filhos de maneira irresponsável.

O Jobbik culpa, exclusivamente, os ciganos por um tipo de delito, uma espécie de roubo com o uso de navalhas. 

Tal pensamento surgiu na criação da Guarda Húngara, uma organização vinculada ao Jobbik, formada por civis uniformizados que se dedicava a patrulhar os povoados para aterrorizar os ciganos.

Mesmo proibida em 2009, alguns de seus seguidores continuam atuando: o último incidente aconteceu em Miskolc, em outubro, quando 3 mil partidários passaram por bairros ciganos com tochas nas mãos.