Após realização de perícia, foram identificados os quatro policiais militares que participaram ativamente da sessão de tortura a que o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza (desaparecido desde 14 de julho) foi submetido ao lado do contêiner da UPP da Rocinha, na Zona Sul do Rio.
De acordo com o Ministério Público, a identificação foi feita através da análise de vozes.
A promotora Carmem Elisa Bastos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), disse que o tenente Luiz Medeiros, o sargento Gonçalves e os soldados Maia e Vital torturaram Amarildo depois que o ajudante de pedreiro foi levado para uma “averiguação” para a base da UPP.
Ainda segundo o MP-RJ, mais 15 policiais militares, entre eles três mulheres, foram denunciados pelo órgão, totalizando 25 acusados pelo crime.
O soldado Marlon Campos Reis, autor da ligação, foi denunciado por fraude processual, além de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Outros três PMs, entre eles o major Edson Santos, ex-comandante da unidade, e o tenente Luiz Medeiros, ex-subcomandante, também foram denunciados pela fraude.
A gravação da ligação está contida no inquérito da 15ª DP (Gávea) sobre a operação Paz Armada, realizada um dia antes do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, no dia 13 de julho.
O suposto traficante teria ligado para um PM infiltrado, cujo aparelho celular estava interceptado por autorização judicial, dizendo que faria com ele o “que fez com o Boi”, apelido pelo qual Amarildo era conhecido na favela.
“A Polícia Civil fez uma perícia da voz do verdadeiro Catatau com a voz da pessoa que se disse o Catatau e constatou que não eram a mesma pessoa”, explicou a promotora Carmen Eliza de Carvalho, do Gaeco.
“A pergunta que se colocou é quem foi que ligou para esse telefone, que o major [Edson] sabia que a gravação seria ouvida. Quem criou uma farsa tão bem elaborada para se cair na investigação de outro inquérito a autoria da morte de Amarildo. A perita de voz do Ministério Público comparou 34 vozes de PMs que fazem parte do processo com a voz do telefonema e chegou a um resultado positivo”, afirmou Carmen.
O Gaeco descobriu ainda que ele usou um aparelho que encontrou no chão, na própria Rocinha, e fez a ligação juntamente com o soldado Douglas Vital no bairro de Higienópolis, zona norte do Rio.
“Descobrimos que os dois estavam juntos porque os dados das antenas dos celulares particulares indicam que os soldados estavam no local e na hora que o telefonema se deu”, disse a promotora.
O major Edson Santos e o tenente Luiz Medeiros foram denunciados pelo crime porque, segundo Carmen, tinham conhecimento da interceptação do celular, que era sigiloso. Segundo provas testemunhais, Medeiros ainda teria jogado óleo no local onde Amarildo foi torturado.
