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Amarildo: corpo foi retirado da Rocinha embrulhado em capa de motocicleta

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O Ministério Público Estadual do Rio já sabe que o corpo de Amarildo de Souza ( desaparecido desde 14 de julho, após ser detido para averiguação) foi retirado da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na zona sul do Rio, envolto em uma capa de motocicleta.

O policial militar que prestou depoimento disse que a capa da motocicleta usada para esconder o corpo e retirá-lo da favela após a tortura, pertencia ao major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha.

Ainda segundo o policial, durante a tortura, Amarildo teria sido afogado dentro de um balde que ficava ao lado da UPP  e que era utilizado para armazenar a água que escorria do ar condicionado do conteiner.

O policial militar contou que, ao chegar ao trabalho, recebeu do tenente Luís de Medeiros, que chefiava o turno, ordem para entrar em um dos contêineres da UPP e só sair quando fosse autorizado. O PM afirmou que ficou no contêiner, com mais dez PMs, por 40 minutos.

No período, ouviu gritos de homem, ruídos de choque e outros sons que podem caracterizar uma sessão de tortura. Depois, houve silêncio, homens gritaram que havia ocorrido um problema e, por fim, o PM diz ter ouvido ruídos semelhantes aos feitos por  passos de pessoas ingressando na mata. Existe um parque ecológico ao redor da UPP.

Por causa do depoimento, policiais civis fizeram na segunda-feira (14) nova busca no parque. Com auxílio de luminol (produto químico que reage à presença de sangue), identificaram áreas onde pode haver resquícios de sangue. Serão necessários exames complementares para confirmar, ou não, se é sangue.

Segundo a promotora, todos os 11 PMs que estavam trabalhando naquela noite e permaneceram no contêiner poderão ser denunciados, mesmo não tendo participado do crime.

A acusação seria omissão, uma vez que não teriam agido para evitar a tortura. A promotora disse que, quando decidir quantos policiais incluirá na denúncia, fará um aditamento, segundo informações do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Em depoimento, o policial também disse que os envolvidos prejudicaram o trabalho da polícia: um dia depois do desaparecimento de Amarildo, o local foi limpo e todos os vestígios de sangue apagados. Dois dias depois da tortura eles também teriam jogado óleo no piso e construído um depósito no local.

O Ministério Público quer que o major Edson Santos, ex-comandante da UPP, seja isolado dos outros nove policiais que, como ele, estão presos sob acusação de desaparecimento do pedreiro.

Santos está encarcerado com os demais PMs, que eram subordinados a ele na UPP, na Unidade Prisional de Benfica (zona oeste do Rio de Janeiro), cadeia que recebe apenas policiais militares. Os dez policiais foram denunciados por tortura seguida de morte e ocultação de cadáver.

Segundo a promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, o major está exercendo influência sobre os presos, o que pode comprometer os depoimentos a serem prestados durante a ação penal que tramita na 35.ª Vara Criminal do Rio.