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A nada doce vida dos cortadores de cana de açúcar

O esforço feito por um cortador de cana, em um dia normal de trabalho, equivale ao feito por um maratonista.

Os trabalhadores desferem, em média, 3.792 golpes com o podão, realizam 3.394 flexões de coluna e levantam certa de 11 toneladas de cana em dez horas diárias de trabalho, geralmente sob sol escaldante e o valor médio por tonelada do produto cortado não ultrapassa os R$ 3,50.

Os dados foram publicados em artigo da pesquisadora Juliana Biondi Guanais, da Unicamp (universidade Estadual de Campinas)

Em uma ação civil movida pelo Ministério Público do Trabalho contra a Usina Santa Fé, empresa do setor sucroalcooleiro de Matão (SP), são apontados estudos que demonstram que os cortadores de cana que recebem por produção podem ter problemas sérios de saúde devido ao esforço excessivo, inclusive morte súbita, geralmente provocada por infarto ou AVE (Acidente Vascular Encefálico).

O juiz do Tribunal Regional do Trabalho  da 15ªRegião, em Campinas (SP) proibiu a Usina Santa Fé de pagar os cortadores de cana por meio de salário calculado por tonelada de cana cortada.

Conforme Renato da Fonseca , “não há dúvidas de que a remuneração do empregado braçal em lavoura agrícola, na forma de produtividade, destoa das normas que asseguram a higidez física e a dignidade do trabalhador, dentre elas a proteção constitucional que impõe o limite da jornada de trabalho”.