A liberdade de expressão nos países do continente americano foi mais atacada no último semestre que nos cinco anos anteriores, devido ao assassinato de 14 jornalistas e a medidas que restringem o acesso a informação, segundo relatórios da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).
Os relatórios foram apresentados domingo (20) durante a Assembleia Geral da SIP, realizada em Denver (Colorado, EUA), e incluíram um detalhado estudo por parte da ativista cubana Yoani Sánchez sobre os desafios que o jornalismo independente enfrenta em seu país.
Depois da divulgação dos relatórios sobre a liberdade de imprensa na Argentina, Equador, Venezuela e Cuba, entre outros, o presidente da SIP, Jaime Mantilla, fez um balanço de sua gestão.
“Esses governos latino-americanos se dedicaram a desenvolver o ódio e o medo”, afirmou.
“Quatorze jornalistas foram assassinados nesse último semestre no Brasil, Guatemala, Haiti e Paraguai, entre outros países, por denunciar os abusos do poder político e econômico, ou tocar os interesses dos traficantes de drogas – abusos e interesses que, muitas vezes, vão de mãos dadas”, resumiu o diretor da SIP, Ricardo Trotti.
Para Trotti, “a violência é incentivada pelo alto grau de impunidade, produto de poderes judiciais fracos, ineficientes, ou subjugados pelo poder, o que permitiu que 17 casos de assassinatos de jornalistas prescrevessem na Colômbia e no México, depois de 20 anos sem justiça”.
O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo, do semanário uruguaio “Búsqueda”, disse que este foi “o pior semestre” nos últimos cinco anos para o jornalismo na região.
“Existe um plano de demolição das democracias para alavancar líderes messiânicos que queiram se perpetuar no poder”, disse Paolillo, acrescentando que “se trata de líderes que mantêm aparências democráticas cada vez mais frágeis”.
Os informes mais polêmicos foram os dos representantes de Cuba, Argentina, Venezuela, Equador e Estados Unidos.
Editores dos EUA denunciaram restrições ao acesso à informação pública em casos nos quais o governo veja ameaça à segurança nacional.
“Não poder resolver a corrupção, a insegurança e a miséria é um problema que incomoda governos de todas as ideologias. Mas vários deles, em especial na Venezuela, no Equador, na Bolívia e na Argentina, preferem culpar os meios privados, os quais acusam de exercer oposição política”, avaliou Trotti, referindo-se ao “discurso anti-imprensa” nesses países.
