A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras mantém, atualmente, seis clínicas em regiões controladas por rebeldes no norte da Síria.
Ela apoia, ainda, dezenas de clínicas em outras regiões do país com medicamentos e suprimentos médicos.
Em 2012, o diretor executivo da entidade, Tankred Stöbe, chegou a montar uma sala de operações em uma caverna na província de Idlib e em setembro último, passou quatro semanas na fronteira sírio-iraquiana, onde uma barraca foi convertida em clínica médica.
Stöbe explica que a orgaização não tem permissão oficial de entrar na Síria, devido ao bloqueio imposto pelo regime do presidente Bashar al- Assad.
“Mesmo onde podemos trabalhar, as condições de segurança são catastróficas. Com frequência temos que retirar nossos profissionais, durante dias, semanas. Trabalhamos em porões, nas casas de civis, em cavernas. Temos que nos esconder, senão somos atacados”, segundo entrevista à Deutsche Welle, empresa alemã de radiodifusão.
Em setembro, um cirurgião da Médicos Sem Fronteiras foi baleado. Até mesmo ambulâncias sofrem ataques. “Todo veículo em movimento é um alvo”, relata Stöbe, baseado na experiência própria. Ele e sua equipe tiveram que encobrir todas luzes de seus veículos, pois “tudo o que se move e é considerado uma equipe médica, é declarado inimigo”.
Jens Laerke, porta-voz em Genebra do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Unocha), confirmou numerosos ataques à ajuda humanitária na Síria.
Ele reivindica “pausas humanitárias” na guerra civil síria, ou seja, a suspensão dos combates, pelo menos por um determinado período, “para que possamos entrar no país, chegar até as pessoas e providenciar a ajuda de que elas necessitam”.
As exigências das Nações Unidas soam inequívocas: a organização demanda do governo de Bashar al-Assad a adoção de “medidas imediatas” para permitir a ampliação das atividades humanitárias no país. Uma dessas medidas é remover “impedimentos burocráticos e outros obstáculos”.
O porta-voz da Sociedade Sírio-Alemã pelas Liberdades e Direitos Humanos, sediada na cidade de Weiterstadt, em Hessen, Hassan Ahmed vê com ceticismo as exigências da Organização das Nações Unidas (ONU) por melhor acesso para as equipes humanitárias, e observa: “gente demais já perdeu a vida nos esforços de ajuda, seu fracasso não se deveu apenas a obstáculos”.
E o presidente sírio, Bashar al-Assad, apareceu na manhã desta terça-feira (15) em público para participar da reza do “Eid al Adha”, que marca o começo da festividade muçulmana do Sacrifício, em uma mesquita de Damasco.
Assad compareceu ao templo de Hasiba na capital, segundo informou a agência de notícias oficial do país, “Sana”, sem dar mais detalhes.
Na última festividade islâmica, a do “Eid ul Fitr”, que encerrou o jejum do Ramadã no dia 8 de agosto, os rebeldes garantiram que tinham atacado o comboio no qual estava o presidente quando ele se dirigia à mesquita de Anas bin Malek na capital do país, o que foi negado pelo regime.
