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Síria: mais de mil toneladas de armas químicas lacradas e a guerra no país eleva tráfego em águas vigiadas por brasileiros no Líbano

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Mais de mil toneladas de armas químicas e substâncias pertencentes ao regime sírio já estão lacradas.

Informação da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), encarregada de supervisionar o processo de destruição do arsenal.

“Todos os depósitos de armas e substâncias químicas foram lacrados, com lacres invioláveis”, disse  Christian Chartier, porta-voz da entidade, à agência de notícias France Presse.

Fontes da organização revelaram que todos os equipamentos declarados de produção de armas químicas na Síria haviam sido destruídos, antes do prazo limite de sábado (26).

“A Síria completou a neutralização de sua produção de armas químicas e de suas instalações de montagem de tal armamento”, disse uma fonte, que pediu anonimato.

Em documento obtido pela agência Reuters, a Opaq afirma que suas equipes inspecionaram 21 de 23 locais de armas químicas na Síria.

Os outros dois eram perigosos demais para serem inspecionados, mas equipamentos químicos já haviam sido removidos para outros locais que foram visitados pelos especialistas, segundo a Opaq.

“A Opaq está satisfeita de ter verificado, e ter visto destruídos, equipamentos de todos os 23 locais importantes de produção/mistura/preenchimento declarados”, disse o documento.

Sob um acordo mediado por Rússia e Estados Unidos, o governo sírio aceitou destruir todas as suas armas químicas, após Washington ter ameaçado usar a força em resposta à morte de centenas de pessoas em um ataque com gás sarin nos arredores de Damasco, no último 21 de agosto.

Os Estados Unidos acreditam que o arsenal químico sírio será destruído no prazo estabelecido pela comunidade internacional, antes do fim de junho de 2014, afirmou um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado.

“Cada vez tenho mais confiança de que estaremos em condições de cumprir esta tarefa – eliminar o programa de armas químicas da Síria – antes da data limite de 30 de junho do próximo ano”, declarou à comissão de Relações Exteriores do Senado o secretário de Estado adjunto encarregado da Não-Proliferação, Thomas Countryman.

“Estes prazos são ambiciosos, mas cumpríveis”, acrescentou.

Tráfego 

Os dois anos de crise e guerra civil na Síria provocaram um aumento aproximado de 25% no tráfego de embarcações na costa do Líbano.

A região já foi usada como porta de entrada de armas ilegais para rebeldes sírios e é patrulhada por uma força naval da Organização das Nações Unidas (ONU) liderada pelo Brasil.

O contra-almirante José de Andrade Bandeira Leandro disse à BBC Brasil que, nos últimos dez meses, uma boa parte dos navios cargueiros que costumavam se destinar à Síria passou a operar nas águas libanesas em busca da proteção da esquadra das Nações Unidas.  A entrevista do contra-almirante foi concedida por telefone, a bordo da fragata brasileira União.

” Houve uma transferência (dos navios destinados à Síria) para portos libaneses. Depois que a carga chega em portos libaneses ela é transferida para a Síria por via terrestre”, afirmou Leandro.

A costa da Síria é a vizinha do norte da costa libanesa.

Entre os principais produtos que seguem essa rota, estão combustível e derivados de petróleo.

Para lidar com o novo fluxo, o porto de Beirute, o principal do país, construiu um novo setor de carga e descarga – inaugurado na semana passada pelo presidente Michel Suleiman.

A capacidade do porto para lidar com contêineres subiu de um milhão de unidades por ano para 1,5 milhão.

Enquanto isso, analistas calculam que o trânsito de mercadorias em portos sírios tenha caído cerca de 70%.

Esquadra
A esquadra da ONU é formada por nove navios de guerra e quatro helicópteros do Brasil, Alemanha, Bangladesh, Grécia, Indonésia, Itália e Turquia.

Ela é parte da Unifil, a missão de paz das Nações Unidas no país.

Os navios patrulham uma faixa de 100 quilômetros mar adentro a partir da costa libanesa (que tem 220 quilômetros de de extensão) com o objetivo de impedir o contrabando de armas ilegais, por via marítima, para grupos radicais libaneses e treinar a marinha libanesa para exercer essa tarefa no futuro.

Uma das maiores preocupações da ONU é que, acobertados por esse fluxo maior de navios, contrabandistas tentem usar o litoral do país para levar armas à Síria.

Duas grandes apreensões de armamentos destinados aos rebeldes, opositores de Bashar al-Assad, foram apreendidos em 2012  pela esquadra antes de serem desembarcados no norte do Líbano.

O contra-almirante Leandro afirmou que o trânsito mais intenso não prejudicará a fiscalização dos navios, pois, de acordo com ele, desde 2011, quando o Brasil assumiu o comando da Força Tarefa Marítima da ONU, cerca de 19.250 tripulações de navios foram interrogadas em alto mar e 2.500 dessas embarcações tiveram suas cargas inspecionadas.

“Essa interrogações visam coletar todos os dados de navios mercantes transitando nessa área, seja entrando ou saindo de portos libaneses ou simplesmente transitando pela área”,  informou. 

Mas se a situação de segurança está sob controle no mar, o dia a dia começa a ficar cada vez mais complicado em solo libanês.

Nesta semana, tropas do Exército do país foram envidas à cidade nortista de Trípoli, onde a guerra civil síria começa a se espalhar.

Grupos favoráveis e contrários ao regime do presidente Assad estão se enfrentando em violentos combates urbanos.

Por enquanto não há planos conhecidos do governo brasileiro para ampliar sua participação na missão de paz do Líbano com tropas terrestres.

A contribuição do país se restringe ao Estado Maior da Força Tarefa Naval e à fragata União (com uma tripulação aproximada de 300 marinheiros).