As pessoas que falam dois idiomas podem afastar a demência por anos, independentemente de terem, ou não, a habilidade de ler nas duas línguas.
É o que revela um estudo publicado na última quarta-feira (7) no periódico americano “Neurology”.
O estudo é o primeiro do tipo a demonstrar que os efeitos protetores do bilinguismo podem se estender para as pessoas que são analfabetas.
Os cientistas acompanharam 648 pessoas na Índia. Todas diagnosticadas com algum tipo de demência e com 66 anos, em média.
Ao analisar os dados, eles descobriram que aqueles que falavam dois idiomas desenvolveram demência cerca de quatro anos e meio mais tarde do que os falantes de um único idioma. As diferenças se mantiveram independentemente de conseguirem ler ou não, já que 14% dos participantes do estudo eram analfabetos.
O início tardio de perda da memória, resultante da demência vascular ou da doença de Alzheimer, também foi observado sem relação com os fatores como educação, gênero, ocupação ou residência rural ou urbana. “Nosso estudo é o primeiro a reportar uma vantagem de falar dois idiomas nas pessoas que não conseguem ler”, afirmou a autora da pesquisa, Suvarna Alladi, do Instituto Médico Nizam em Hyderabad, Índia.
Segundo ela, a pesquisa sugere “que o nível de educação de uma pessoa não é uma explicação suficiente para esta diferença”. “Acredita-se que falar mais de um idioma leve a um melhor desenvolvimento das áreas do cérebro que desempenham funções executivas e tarefas de atenção, o que pode ajudar a proteger (o indivíduo) do início da demência”.
