A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade de Minas Gerais ouviram na última segunda-feira (7) sobreviventes e testemunhas de uma chacina de Ipatinga (MG) ocorrida há 50 anos no município.
Os representantes das comissões tentam esclarecer o número exato de mortos no episódio: oito na versão oficial e 30 na dos sobreviventes e das famílias das vítimas. Inclusive uma criança no colo da mãe, atingida por um tiro de metralhadora.
Esta primeira sessão serviu para abrir as investigações ecolher depoimentos das vítimas. O próximo passo, sem data marcada, será ouvir os policiais envolvidos.
“A PM vai contribuir com a comissão de acordo com as informações que nos pediram e que estiverem ao nosso alcance. Entregamos cópia do inquérito feito à época, onde foram atribuídos a responsabilidade a 20 policiais que atuaram no dia”, afirmou o diretor de Recursos Humanos da PM, coronel Eduardo Reis.
Em 7 de outubro de 1963, 19 soldados da polícia militar de Minas Gerais de cima de um caminhão, atiraram com metralhadora contra cerca de 2 mil empregados em greve na porta da empresa estatal Usiminas.
Além dos mortos, 79 pessoas ficaram feridas a bala.
A tragédia tinha sido anunciada um dia antes.
No dia 6 de outubro, os operários que chegavam ao trabalho se revoltaram devido à revista feita pela PM a pedido da direção da Usiminas.
Os militares e vigilantes da empresa espancaram dezenas de empregados da companhia no alojamento Chicago Bridge e prenderam 300 trabalhadores.
Diante, disso, com os ânimos mais acirrados ainda, os empregados não entraram na empresa no dia seguinte e, encurralados na porta da empresa, levaram os tiros.
Segundo estudo realizado pelo Fórum Memória e Verdade do Vale do Aço, os trabalhadores da Usiminas estavam submetidos a condições salariais, de trabalho e de vida bastante precárias. Também eram submetidos ao controle absoluto da estatal e mantidos sob rígida vigilância de seguranças da empresa e policiais militares.
Agora, a intenção das comissões da verdade é descobrir o número exato de vítimas no episódio.
José Isabel Nascimento foi o único fotógrafo a registrar o confronto. Atingido por tiros de metralhadora durante o episódio morreu três dias depois.
