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Caso JK: acidente ou emboscada?

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai solicitar um pedido formal de desculpas ao motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira, de 69 anos, apontado durante o regime militar como responsável pelo acidente que provocou a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em agosto de 1976.

Em outubro, Oliveira deu entrevista ao jornal o Estado de São Paulo contando que dois homens ofereceram dinheiro para ele assumir a culpa no processo.

O motorista,70, narrou o episódio à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo e na segunda-feira (4) ele repetiu a versão ao colegiado mineiro.

Durante o depoimento, Oliveira voltou ao chorar quando contou ter sido procurado por representantes da ditadura militar que ofereceram a ele “uma mala de dinheiro”. O motorista foi absolvido do no processo na época.

Ao fim da audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo mineiro, deputado estadual Durval Ângelo, afirmou que encaminhará à Comissão Nacional da Verdade a solicitação de um pedido formal de desculpas por parte do governo federal ao aposentado, que hoje vive em um abrigo para idosos em São Paulo.

“Vamos pedir também o reajuste da aposentadoria de seu Josias”, afirmou o deputado. Para o ex-motorista, porém, “nada paga” o que ele passou.

Oliveira contou que cinco anos após o caso pediu demissão da empresa onde trabalhava, foi aposentado por invalidez e se separou da família. “Eu ouvia de colegas que matei JK. Para mim, o Brasil só teve dois presidentes: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek”, desabafou.

Pela versão oficial divulgada pelo governo militar na época, o ônibus dirigido por Josias Oliveira bateu no Opala no qual estava JK e o carro do ex-presidente atingiu um caminhão na contramão. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu na ocasião.

Acompanharam o depoimento dessa terça-feira (5) os advogados Márcio Santiago e William Santos, da Comissão da Verdade da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que encaminharam a documentação sobre a morte de JK à Comissão Nacional da Verdade para o caso ser novamente investigado.

A suspeita é de que o acidente tenha ocorrido após Geraldo Ribeiro ser baleado na cabeça.

A exumação do corpo do motorista e amigo pessoal do ex-presidente, realizada em 1996, mostrou que ele tinha uma perfuração no crânio que a perícia alegou ter sido provocada por um prego do caixão. Um fragmento metálico foi encontrado, mas a peça teria desaparecido.