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Carga pesada: mulheres de Melilla viram “mulas” por falta de opção

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As mulheres de Melilla carregam, diariamente, pesadas cargas através da fronteira entre o enclave espanhol e a Marrocos.

Melilla é um pequeno território situado na costa norte do Marrocos e um importante ponto de entrada de produtos no norte da África.

Conhecidas como as “mulheres-mula”, a maioria é divorciada, separada ou mãe solteira.

De acordo com a reportagem veiculada pela BBC Brasil, os produtos entram carregados por uma única pessoa e classificados como “bagagem pessoal” e assim ficam isentos de taxa alfandegária.

A atividade é, atualmente, o sustento de inúmeras mulheres marroquinas, sem outra opção de renda.

Roupas usadas, rolos de tecido, produtos de higiene e atee utensílios domésticos vindos da Espanha são destinados a mercados no Marrocos e região.

As mulheres carregam fardos imensos, embrulhados em papelão, fita adesiva e cordas.

É sob essa imensa carga que as marroquinas, as “mulheres-mula” passam os dias encurvadas e escondidas pelo tamanho de seu fardo.

Conhecidas, localmente, como porteadoras, algumas fazem três ou quatro viagens por dia através da fronteira, carregando, segundo a reportagem da BBC Brasil, até 80 quilos.

As remunerações variam e as mulheres dizem que precisam pagar propina aos guardas do Marrocos.

Perigo:

O comércio ocorre, diariamente, no Bairro Chino, fronteira entre Melilla e Marrocos, por onde só transitam pedestres.

Em Melilla já há um debate a respeito: afinal, este tipo de comércio deveria, ou não, ser coibido?

Para Emilio Gerra, do partido político Union Progresso y Democracia, “essas mulheres estão arriscando a vida. Houve mortes em consequência desse tipo de trabalho físico com condições de semiescravidão”.

Já o consultor de negócios para o governo de Melilla, José Maria Lopez, ” há resultados muito positivos dessa atividade comercial.Para algumas das porteadoras é a única chance que têm de ganhar a vida”.

De acordo com Lopez, algumas mulheres obtêm renda muito maior do que a de muitos trabalhadores no Marrocos.

O consultor estima que esse comércio informal gere cerca de 300 milhões de euros, anualmente para Melilla.

Mas há outros, ainda segundo a reportagem, que chamam a atividade de contrabando e acreditam que ela gere o dobro deste valor.