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Papa Francisco quer discutir sobre casamento homossexual, divórcio, aborto e a evolução da família moderna

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“A Igreja, nó vital da sociedade e da comunidade eclesiástica, vive uma época de evidente crise social e espiritual”.

A advertência consta de documento preparatório de sete páginas enviado, há poucos dias, às conferências episcopais de todo o mundo e divulgado, nesta terça-feira (5) pelo Vaticano.

O documento inclui um questionário com 38 perguntas divididas por temas e foi redigido pelo secretariado do sínodo, em preparação para a Assembleia Extraordinária dos Bispos, convocada pelo papa Francisco para 2014.

Do questionário constam temas como casamento homossexual e adoção por estes casais, divórcio e aborto, entre outras questões até então tabus na Igreja Católica.

O cardeal Peter Erdo, relator-geral do Sínodo, alertou, durante entrevista coletiva à imprensa, que “não haverá mudanças na doutrina católica, apenas a maneira de encarar as situações”.

Dirigido por Lorenzo Baldissere, o Sínodo dos Bispos, enviou o questionário em outubro passado e, com base nas respostas, deverá elaborar um documento chamado “Onstrumentum laboris”, que servirá de introdução para o debate dos bispos, que falam línguas diferentes e têm diferentes problemas em suas respectivas comunidades.

O papa Francisco, diante da evolução dos costumes, convocou, para outubro de 2014, a assembleia dos bispos que irá abordar, abertamente, os problemas e desafios enfrentados pelas famílias modernas.

Sob o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, a igreja quer abordar questões bastante contemporâneas e o pontífice participou da elaboração do questionário que objetiva promover uma “nova evangelização baseada na atenção e misericórdia”para aqueles que vivem em situações irregulares.

Com humildade, o jesuíta Francisco pede conselhos sobre a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, sobre o aumento de casais que não são casados formalmente e sobre a atitude da Igreja em relação ao casamento homossexual e às famílias monoparentais.

O bispo italiano, secretário-geral do Sínodo, Bruno Forte, foi claro: “os problemas são muitos. Não é conveniente enterrar a cabeça na areia”.

Para tanto, um conjunto de questões foram, especialmente, direcionadas ao casamento gay e aos filhos desses casais que correm o risco de não verem seus pais recebendo os sacramentos da Igreja, apesar de serem católicos apostólicos romanos.

Há uma considerável abertura da Igreja ao permitir que os filhos de casais em situações irregulares – homossexuais, concubinato, divorciados – possam ter acesso à catequese e aos sacramentos.

Após o Sínodo extraordinário de 2014 será realizado, em 2015, um Sínodo ordinário que poderá adotar medidas revolucionárias para a Igreja católica.

Segundo Forte, “não sabemos o que vai acontecer. O desafio foi aberto”.

Mulher cardeal

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que teoricamente e teologicamente é possível a nomeação de uma mulher como cardeal pelo papa Francisco, mas que isso não está no horizonte – ao menos de curto prazo.

O próximo consistório (reunião para nomeação de cardeais) está marcado para fevereiro.

“Não é uma possibilidade realista. Teológica e teoricamente, é possível [nomear uma mulher cardeal]: para alguém ser cardeal, em tese, não é preciso ter sido ordenado [padre]. Mas daí a sugerir que o papa nomeará mulheres cardeais no próximo consistório não é nem remotamente realista”, declarou.

Ele não afirmou que isso nunca ocorrerá, porém, apenas que não nas próximas nomeações.

As especulações sobre o assunto começaram em setembro, quando o ex-padre Juan Arias, correspondente do jornal espanhol “El País” no Brasil, escreveu um artigo dizendo que Francisco cogitava elevar mulheres ao cardinalato.

No fim de semana, foi o irlandês “Irish Times” que levantou o tema, o que levou à manifestação de Lombardi.

Embora essa possibilidade nunca tenha sido confirmada, chegaram a circular nomes de mulheres “cardinaláveis”, como a teóloga Linda Hogan, do Trinity College de Dublin (Irlanda), e a ex-presidente irlandesa Mary McAleese.

Desde sua eleição,  o papa Francisco tem dito que é necessário dar maior participação às mulheres na igreja.