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Fashion Rio: denúncia de discriminação racial; modelos negros teriam sido excluídos

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Modelos negros teriam sido excluídos do planejamento do Fashion Rio, que acontece entre 6 e 9 de novembro, no Píer Mauá, Rio de Janeiro.

A denúncia partiu de uma ONG e, se comprovada, a organizadora do evento estará desrespeitando legislações que combatem a discriminação racial.

Segundo a Defensoria, a intenção é firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), mas pode também ajuizar ação civil pública que garanta o mínimo de 10% de negros nas passarelas.

A defensora pública, Larissa Davidovich explica que, se comprovada a denúncia, a organizadora do evento estará desrespeitando legislações que combatem a discriminação racial.

 A Defensoria constatou que, a princípio, a conduta da organização do Fashion Week viola e afronta tratados e normas internacionais, além da própria Constituição da República, que visam combater toda e qualquer forma de discriminação, inclusive racial.

Naomi

A modelo britânica Naomi Campbell está relançando uma campanha contra a discriminação racial no mundo da moda.

Em entrevista à BBC, ela disse que quer cobrar de estilistas, juntamente com as colegas Iman Abdulmajid e Bethann Hardison, uma diversidade maior nas passarelas, onde atualmente apenas 6% das modelos são negras e 9% asiáticas.

A modelo já tinha chamado atenção para o tema em 2009, mas disse que o assunto ” foi esquecido e varrido para debaixo do tapete”.

Compromisso

O Fashion Rio e representantes da ONG Educafro acabam de assinar, nesta terça-feira (5), termo de compromisso para garantir a presença de modelos negros na semana de moda carioca, após reunião de duas horas e meia, na sede da Defensoria Pública, no centro do Rio.

Participaram do encontro representantes da ONG, da Coordenadoria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio (Ceppir), o deputado estadual Gilberto Palmares e a gerente do departamento jurídico da Luminosidade, Verbana Maciel.

Na reunião, foi acordado que a Luminosidade, empresa responsável pela organização das semanas de moda do Rio e de São Paulo, irá encaminhar às grifes a recomendação de que exista o percentual mínimo de 10% de negros em cada desfile.

Segundo a defensora pública, Larissa Dadidovich, os agentes do órgão estarão presentes nos desfiles para verificar que as grifes estão cumprindo o percentual mínimo acordado na reunião.

De acordo com o presidente do Grupo Palco Mil Sonhos, Leônidas Lopes, nenhuma modelo negra foi selecionada para o evento. 

Nos últimos dois anos, quando um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado pela Luminosidade vigorava, 46 modelos em cada ano chegaram a ser chamadas para as seleções.

“Os modelos não foram chamados nem para seleção. Não estou reclamando apenas das modelos que são do grupo. Os fatos estão comprovados. Neste ano, em São Paulo, um famoso estilista homenageou a África e não havia nenhum modelo negro. A grande maioria era loira e apenas duas morenas”, disse Lopes, referindo-se ao desfile da marca Tufi Duek.

O termo assinado prevê ainda que as grifes entreguem, em 30 dias, nome e quantidade de modelos que participaram do evento.

A Defensoria irá intermediar a assinatura de um TAC para que as grifes cumpram um percentual mínimo (ainda a ser decidido) nos desfiles que aconteçam na cidade. “Por que será que o número de negros é tão menor? Isso é uma forma de pressionar para que se tenha a garantia que os negros não sejam excluídos desse processo em razão de um preconceito velado”, completou Lopes. 

Acordo descumprido

Segundo o coordenador geral da Educafro, Melquizedeque Ramos da Silva, o primeiro TAC foi assinado em 2009 entre a Luminosidade e o Ministério Público de São Paulo e teve validade de dois anos.

O acordo previa a inclusão de 10% de negros no São Paulo Fashion Week e no Fashion Rio.

Ainda conforme o coordenador, o acordo foi cumprido, mas a partir de 2012, quando não estava mais vigente, houve um retrocesso e novamente aconteceu a exclusão de negros dos desfiles.

“A Luminosidade veio desfazendo tudo que havia sido construído nesses dois anos. Em vez de ampliarem o número de negros, foram diminuindo ainda mais. Fizemos dois protestos, um no ano passado e outro no ano retrasado. Se for necessário, faremos outro este ano também”, disse Silva.