No Brasil é três vezes mais provável que um jovem esteja desempregado do que um adulto.
O estudo é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) integrada por 34 países com elevado PIB (Produto Interno Bruto) per capita.
No levantamento, divulgado nesta terça-feira (22), a entidade internacional da qual o Brasil não faz parte também recomendou que o país invista mais na capacitação de seus jovens.
Também conhecida como “grupo dos ricos”, a OCDE ressaltou que, no território brasileiro, a quantidade de jovens que não está trabalhando, recebendo treinamento ou estudando é mais alta do que a média dos países pertencentes à organização.
O estudo destaca que, além da dificuldade de os brasileiros com idade entre 15 e 24 anos encontrarem um posto de trabalho, quando eles conseguem os empregos esses costumam ser de baixa qualificação e alta rotatividade.
Criada em 1961, a entidade com sede na França tem como um de seus objetivos comparar políticas socioeconômicas em conjunto com governos para solucionar problemas.
A riqueza produzida por seus pouco mais de 30 integrantes equivale a mais da metade de tudo o que se produz no mundo.
Apesar de não integrar o rol de membros da OCDE, o Brasil é colaborador em algumas ações da organização. Na América Latina, somente o México e o Chile fazem parte da entidade, enquanto que a Colômbia está em processo de filiação.
Segundo a organização internacional, o governo brasileiro tem de aumentar, gradualmente, os investimentos em educação para alcançar a média do Produto Interno Bruto investido no setor pelos países da OCDE.
No grupo, a média do PIB aplicada em educação é de 6,3%.
Em 2010, o Brasil gastou 5,6% de todas as riquezas produzidas no país no segmento educacional.
Para o secretário-executivo da OCDE, Angel Gurría, o Brasil está no caminho certo, porém, ainda precisa avançar.
“Enfrentamos no Brasil muitos desafios importantes, como o desemprego juvenil acima da média, mas o emprego não garante que seja automaticamente de qualidade. […] Muitos países desenvolvidos também têm problemas de investimentos de educação. Então, o que o Brasil está fazendo é aumentar o investimento em educação e isso com certeza é a melhor coisa para o futuro”, ponderou o dirigente da entidade.
Apesar de ter recebido em mãos o relatório da OCDE, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, enfatizou que muitas das conclusões da entidade internacional não condizem com a realidade brasileira.
“Esse relatório traz uma visão muito europeia. Eles têm lá uma visão de política neo-liberal. Lá, tem um modelo aplicado na Europa de políticas recessivas que estão levando a esse número expressivo de desempregados especialmente na juventude”, rebateu o ministro.
Já o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, declarou que o Brasil está cada mais próximo do desenvolvimento, pois, preserva salários e direitos.
“Eu acho um debate muito interessante a gente ouvir outras opiniões, mas no que se diz respeito ao emprego e à educação, o Brasil tem várias experiências inovadoras, especialmente o modelo de desenvolvimento que preservou o emprego, salários, direitos sociais e que busca a competitividade aumentando a educação”, ponderou Mercadante.
A OCDE observou que a baixa capacitação dos brasileiros que estão ingressando no mercado de trabalho pode ser motivada pela oferta limitada de programas de aprendizagem no país. Em 2012, destacou a organização, foram formados 260 mil aprendizes no Brasil, o que representaria menos de 1% da população entre 15 e 24 anos.
A entidade disse, ainda, que fortes desigualdades de gênero, geografia e cor da pele também persistem no país. Por exemplo, a probabilidade de uma jovem negra no Nordeste estar desempregada é de 28,6%, segundo o estudo. Por outro lado, um homem branco que vive na região Sul teria 7,6% de chance de estar sem emprego.
Outro item sugerido pela OCDE para melhorar a situação dos jovens no país é a criação de um subsalário mínimo para o público entre 15 e 24 anos. A entidade recomendou que o valor desse piso fosse fixado em três quartos do salário mínimo estipulado para os adultos. Segundo a organização estrangeira, 12 países afiliados ao grupo mantêm essa prática. O ministro do Trabalho, no entanto, rebateu afirmando que a proposta é inviável para a realidade brasileira.
