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República Centro-Africana: ONG alerta que a situação humanitária só tende a piorar na região

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“Dezenas de milhares de pessoas fugiram durante nova onda de ataques e assassinatos brutais perpetrados por grupos armados e forças do governo no noroeste da República Centro-Africana (RCA)”.

A denúncia consta de comunicado da Organização Médicos sem Fronteiras ao informar que mais de 30 mil deslocados internos estão na cidade de Bossangoa e no entorno, vivendo em condições precárias, “com acesso limitado ou inexistente a abrigo, água limpa, alimento e saneamento”.

 A cirurgiã Erna Rijiniersa, que atua desde 1996 na região, afirmou que, no último mês os médicos trataram de mais de 60 pessoas em Bossangoa.

“Todas com ferimentos resultantes da violência, principalmente tiros e golpes de machete, incluindo mulheres e crianças”, relatou Erna Rijinierse no comunicado.

A República Centro-Africana mergulhou no caos desde que rebeldes da etnia seleka, majoritariamente muçulmanos, depuseram o presidente François Bozize, em março passado, no mais recente golpe de Estado no país, que continua sendo um dos mais pobres do mundo, apesar da existência de recursos naturais como ouro e urânio.

Segundo o MSF, em Bossangoa cerca de 28 mil pessoas estão abrigadas em uma Missão Católica, outras 1.200 estão em um hospital – o que transformou metade do prédio em um acampamento improvisado – e outras mil estão buscando abrigo próximo a uma pista de pouso.

“Os lugares estão superlotados e as pessoas cozinham, comem, dormem e defecam no mesmo local. Sob essas condições de saúde desastrosas, o risco de surtos de doenças é alto”, afirma no comunicado Ellen Van der Velden, coordenadora geral da ONG no país, logo após visitar os locais.

Na metade de outubro, a França anunciou que iria reforçar sua presença militar na República Centro-Africana até o final do ano sob uma próxima resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar a impedir que o país saia do controle.

A França pediu que potências mundiais e regionais não ignorem o conflito que provocou a expulsão de mais de 400 mil pessoas de suas casas por atos de violência, como homicídio e estupro.

Atualmente, a França tem cerca de 400 tropas em Bangui, protegendo o aeroporto e os interesses franceses.