Nazir Afzal, promotor de justiça muçulmano vem lutando pelas mulheres do Reino Unido e suas críticas aos casamentos forçados e aos “crimes de honra” lhe causam muitos inimigos.
Em matéria veiculada pelo jornal Folha de São Paulo/ encarte The New York Times (8/10), a repórter Katrin Bennhold, entrevista Afzal que é um dos treze promotores-chefes da coroa britânica encarregado de supervisionar mais de 100 mil processos por ano e gerencia 800 advogados e funcionários no noroeste da Inglaterra, a maior região de Londres.
Segundo a reportagem, ele é o primeiro promotor-chefe muçulmano e o mais velho advogado muçulmano do país e sua maior marca talvez tenha sido processar casos que envolvem crimes contra mulheres de comunidades minoritárias do país.
Nascido em Birmingham, na Inglaterra, o promotor diz que no Reino Unido multicultural são 10 mil meninas, a maioria da Ásia meridional e dois terços delas muçulmanas, casadas contra a vontade todo ano no país e que, muitas são mortas, anualmente, em nome da “honra familiar”.
Afzal, ainda segundo a reportagem, ajudou a montar uma linha direta nacional para mulheres em perigo de casamento forçado e está trabalhando para criminalizar essa prática.
Em 2012, ele processou, com sucesso, oito homens britânicos de origem paquistanesa e um afegão por estuprar e traficar meninas brancas.
O promotor também denuncia “as centenas de jovens britânicas que têm seu clitóris cortados em mutilação genital todos os anos” e insiste que os direitos humanos devem se sobrepor aos direitos culturais. “Nenhuma comunidade deveria proteger homens que cometem crimes contra as mulheres”.
Vale lembrar que Afzal é homem, muçulmano praticante e filho de imigrantes da área tribal conservadora do noroeste do Paquistão.”Eu vennho dessas comunidades e entendo sua natureza patriarcal. Posso contestá-las e, como sou homem, é maior a probabilidade de que os homens da comunidade me escutem”.
A jornalista escreve que ä cruzada de Afzal é pessoal”. Nascido um “menino marrom”na Inglaterra ele conta que foi agredido na escola e que seu pai, que fornecia refeições ao Exército britânico, simplesmente lhe dizia: “Acostume-se”.
“Eu achava que era uma coisa natural e suportei e penso que muitas mulheres sentem o mesmo sobre as agressões que sofrem”, finaliza o promotor.
