Mais de 30 milhões de meninas correm risco de ser submetidas à mutilação genital feminina (MGF) durante a próxima década, conforme um estudo da Unicef, realizado neste ano de 2013.
Cerca de 125 milhões de meninas e mulheres, vivas ainda hoje, foram submetidas ao procedimento agora banido na maioria dos países onde antes era praticado.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a mutilação genital tem efeitos semelhantes aos da violência sexual.
O corte ritual dos genitais de garotas é praticado por algumas comunidades da África, do Oriente Médio e da Ásia na crença de que protege a virgindade. A Unicef pede ação para pôr fim à prática.
Pesquisa do Fundo para Crianças da ONU(Organização das Nações Unidas), descrito como o mais completo a já ser feito sobre a questão, descobriu que o apoio ao procedimento está em declínio entre homens e mulheres.
O relatório, “Mutilação Genital Feminina: Uma análise estatística e exploração da dinâmina da mudança”, compilou dados de 20 anos de 29 países na África e no Oriente Médio onde a mutilação genital feminina ainda é praticada.
A descoberta foi que as meninas estão sob menos risco de ser submetidas ao procedimento do que eram há 30 anos.
Elas tinham um risco três vezes menor do que suas mães no Quênia e na Tanzânia, com os níveis tendo diminuído para quase metade em Benin, República Centro Africana, Iraque, Libéria e Nigéria.
A MGF continua, quase universal, na Somália, Guinea, Djibuti e Egito, e houve pouco declínio perceptível no Chade, Gambia, Mali, Senegal, Sudão ou Iêmen, segundo o estudo.
Entretanto, o relatório aponta que a maioria das meninas e mulheres e um número significativo de garotos e homens opõem-se à prática. No Chade, Guinea e Serra Leoa mais homens e mulheres querem ver um fim para a prática.
Em algumas comunidades, a MGA, também conhecida como circuncisão feminina, é vista como um ritual tradicional usado, culturalmente, para assegurar a virgindade e para aumentar as chances de casamento de uma mulher.
Tipicamente envolve procedimentos que alteram ou ferem os órgãos genitais femininos e, frequentemente, são realizados por circuncisadores tradicionais, que desempenham outros papéis centrais nas comunidades.
Os riscos relacionados à MGF incluem hemorragia, problemas para urinar, infecção, infertilidade e maior risco de morte de recém-nascidos no parto.
